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Os intermediários do grande capital financeiro

Francisco Almeida

 

Recordo hoje alguns dos assaltos que os governos do PSD, CDS e PS (sim, os primeiros cortes foram feitos por um governo PS) já realizaram ao nosso bolso: a redução dos salários aprovada em 2010, a aplicação de uma taxa de IRS extraordinária de 3,5 % sobre os salários de 2011 (conhecida como o roubo de metade do subsídio de Natal desse ano), o roubo dos subsídios de férias e de Natal em 2012, o aumento do IVA e do IMI, a repetição, em 2013, 2014 e 2015, da taxa extraordinária de 3,5 % no IRS, os roubos nas pensões, as alterações nos escalões do IRS e o roubo dos dois subsídios que o Tribunal Constitucional chumbou - o Tribunal Constitucional chumbou os cortes nos salários, nas pensões de sobrevivência e nos subsídios de desemprego e de doença que o governo impôs. De degrau em degrau querem continuar neste caminho de empobrecimento de todos os que vivem do seu trabalho.

 E o resultado deste autêntico saque vai sempre para os cofres do costume – bancos e empresas do capital financeiro.

É a agiotagem dos juros exorbitantes, é a chamada recapitalização dos bancos, são os buracos provocados por roubos à descarada, por exemplo no BPN, BES e BPP, resolvidos com o nosso dinheiro, são as rendas milionárias pagas nas parcerias público privadas, nomeadamente nos sectores rodoviário, da saúde, da educação e da justiça e esses contratos ruinosos a que chamam swaps. É para isto tudo que o dinheiro que nos estão a roubar vai direitinho.

Mas, para o governo e para o capital financeiro isto não chega.

 

Impõem cortes brutais nas chamadas funções sociais do Estado. Cortaram milhares de milhões de euros na educação, na saúde e na segurança social.

 

Vale a pena comparar estes valores com outros – o assalto efetuado por alguns no BPN acende a 7.000 milhões de euros e nessa coisa a que chamam swaps estão envolvidos mais 3.000 milhões. No BES/Novo Banco estão mais uns largos milhões. Tudo coberto e pago com o nosso dinheiro. Estamos conversados …

 

Este é o sentido de justiça defendido por Cavaco, Passos e Portas.

 

O governo serve assim de intermediário do grande capital financeiro. O governo PSD/CDS é uma espécie de grupo operacional daqueles que enriquecem à custa dos roubos feitos a quem vive do seu trabalho.

 

Se esta política continuar [e só não continuará se a luta e o voto dos portugueses o impedir] … se este caminho prosseguir será a desgraça do sistema público de educação, do serviço nacional de saúde e da segurança social.

 

Termino este texto citando José Saramago, num artigo que escreveu em 1991 na Folha de S. Paulo.

  A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim.”

   

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